Medidas de proteção contra choques nas instalações em instalações elétricas de baixa tensão – Parte 6

O sexto artigo da série de medidas de proteção contra choques nas instalações em instalações elétricas de BT trata do uso da extrabaixa tensão. Esta medida faz parte do grupo de medidas descritas pela NBR 5410, que são admitidas ou mesmo exigidas em situações mais pontuais para compensar dificuldades no provimento da medida de caráter geral, que é o seccionamento automático da alimentação.
 

Uma restrição à aplicação desta medida é a dependência da tensão nominal das cargas (equipamentos), que devem ser alimentados na tensão inferior a 50 V em corrente alternada e 120 V em corrente contínua. Vários equipamentos eletroprofissionais portáteis já estão sendo vendidos com a opção de alimentação em extrabaixa tensão por baterias.


A proteção por extrabaixa tensão é realizada através do uso de instalações com a tensão nominal que não exceda o limite superior da faixa I do anexo A da NBR 5410, ou seja, 50 V em corrente alternada ou 120 V em corrente contínua sem ondulação, alimentadas a partir de uma fonte de separação de segurança e com circuitos de extrabaixa tensão.


A norma brasileira classifica extrabaixa tensão em dois tipos:

  • SELV (do inglês separated extra-low voltage): Sistema de extrabaixa tensão que é eletricamente separado da terra, de outros sistemas e de tal modo que a ocorrência de uma única falta não resulta em risco de choque elétrico.
     
  • PELV (do inglês protected extra-low voltage): Sistema de extrabaixa tensão que não é eletricamente separado da terra mas que preenche, de modo equivalente, todos os requisitos de um SELV.


A aplicação do SELV ou do PELV é determinada na norma; existem situações onde a norma estabelece o tipo de extrabaixa tensão a ser usado, como por exemplo, no volume 0 de piscinas onde somente é permitido o uso de SELV, e existem locais onde o tipo não é estabelecido pela norma, ficando a critério do projetista da instalação.


A proteção por extrabaixa tensão, como as demais medidas de proteção, é considerada provida quando for garantida a proteção básica e a proteção supletiva. A proteção básica, como todas as outras medidas de proteção, é proporcionada por isolação básica ou uso de barreiras ou invólucros. Uma diferença nesta medida de proteção é que dependendo da tensão nominal do sistema SELV ou PELV e das condições de uso, as partes vivas de um sistema SELV ou PELV não precisam necessariamente ser inacessíveis, ou seja, pode ser dispensada a isolação básica, a barreira ou o invólucro; as condições são as seguintes:

a) se a tensão nominal do sistema SELV ou PELV não for superior a 25 V, valor eficaz, em corrente alternada, ou a 60 V em corrente contínua sem ondulação, para as áreas secas; ou

b) se a tensão nominal do sistema SELV ou PELV não for superior a 12 V, valor eficaz, em corrente alternada, ou a 30 V em corrente contínua sem ondulação, para as áreas molhadas e/ou compartimentos condutivos.
 

A proteção supletiva é assegurada por:
a) separação de proteção entre o sistema SELV ou PELV e quaisquer outros circuitos que não sejam SELV ou PELV, incluindo o circuito primário da fonte SELV ou PELV;

b) isolação básica entre o sistema SELV ou PELV e outros sistemas SELV ou PELV; e

c) especificamente no caso de sistemas SELV, isolação básica entre o sistema SELV e a terra.

Um aspecto fundamental para que a medida de proteção contra choque por uso de extrabaixa tensão seja eficaz é o uso de uma fonte de extrabaixa tensão. Não é o simples uso de uma tensão inferior a 50 V que garante a segurança das pessoas, mas um conjunto de medidas coerentes estabelecidas pela NBR 5410. A seção 5.1.2.5.3 da norma estabelece os requisitos que devem ser respeitados para que uma fonte seja considerada uma fonte SELV ou PELV. Quando a fonte não atende aos requisitos estabelecidos pela norma, na seção 5.1.2.5.3, então o sistema alimentado em tensão inferior a 50 V pode ser classificado como de extrabaixa tensão funcional, apenas (abreviadamente, FELV). Mas não é considerado como medida de proteção e, consequentemente, o sistema e sua fonte devem ser objeto da medida de proteção aplicada ao sistema de tensão mais elevada do qual deriva, sendo esta medida, geralmente, a proteção por eqüipotencialização de proteção e seccionamento automático da alimentação.


Os requisitos estabelecidos pela NBR 5410 para que uma fonte seja considerada SELV ou PELV são os seguintes:

  • Quando for usado um transformador para abaixar a tensão para os limites de extrabaixa tensão, o transformador de separação de segurança, este transformador deve construído de acordo com os requisitos estabelecidos pela norma internacional IEC 61558-2-6.
     
  • Fonte de corrente que garanta um grau de segurança equivalente ao do transformador de separação de segurança (por exemplo, um conjunto motor-gerador com enrolamentos apresentando uma isolação equivalente).
     
  • Fonte eletroquímica (por exemplo, pilhas ou acumuladores) ou outra fonte que não dependa de circuitos de tensão mais elevada (por exemplo, grupo motor térmico-gerador).

Além da fonte, a norma apresenta requisitos para os circuitos que alimentam cargas em extrabaixa tensão. Estes requisitos devem ser atendidos para que as pessoas tenham a garantia da segurança. Estes requisitos são apresentados na seção 5.1.2.5.4 da norma. A norma apresenta dois conjuntos de requisitos, o primeiro naturalmente é o que garanta a isolação entre as partes vivas e as partes vivas e a terra dos circuitos de extrabaixa tensão, para que não ocorra nenhum curto circuito. O segundo conjunto de requisitos é aquele que apresenta as prescrições para que seja garantida a eficácia da proteção contra choques elétricos dos usuários dos componentes em extrabaixa tensão, isto é, a isolação entre as partes vivas dos circuitos em SELV ou PELV e partes vivas de outros circuitos que não sejam SELV ou PELV.

Os requisitos do primeiro grupo não apresentam diferença de qualquer circuito, isto é, deve haver isolação entre:

  1. as partes vivas de um circuito SELV ou PELV e entre elas e as partes vivas de outros circuitos SELV ou PELV; e
  2. as partes vivas de um circuito SELV e a terra.

O segundo grupo que apresenta os requisitos de separação de proteção, ou seja, a isolação entre as partes vivas dos circuitos SELV ou PELV e partes vivas de outros circuitos que não sejam SELV ou PELV. Neste caso a isolação deve assegurada por:

a) isolação dupla ou reforçada, dimensionada para a tensão mais elevada presente; ou

b) isolação básica e blindagem de proteção, também dimensionada para a tensão mais elevada presente.

Estas formas de isolação, na prática, permitem as seguintes construções de linhas elétricas SELV ou PELV:

a) condutores dos circuitos SELV e/ou PELV providos de cobertura não-metálica ou envolvidos por um invólucro isolante, adicionalmente à sua isolação básica;

b) condutores dos circuitos SELV e/ou PELV providos de sua isolação básica, separados dos condutores dos circuitos em outras tensões por uma cobertura metálica aterrada ou uma blindagem metálica aterrada;

c) compartilhamento pelo circuito SELV e/ou PELV e outros circuitos em outras tensões, de um mesmo cabo multipolar, desde que os condutores, em especial os dos circuitos SELV e/ou PELV, sejam isolados para a tensão mais elevada presente;

d) condutores SELV e/ou PELV e condutores de outros circuitos em outras tensões, todos providos de sua isolação básica, formando um agrupamento, desde que os condutores, em especial os dos circuitos SELV e/ou PELV, sejam isolados para a tensão mais elevada presente;

e) condutores de circuitos SELV e/ou PELV fisicamente separados dos condutores de qualquer outro circuito.

Com este artigo, terminamos as medidas de proteção contra choques elétricos. No próximo artigo, o final desta série, vamos abordar a medida de proteção adicional, que é a medida de proteção contra choques elétricos usados em locais ou situações onde o risco de choque elétrico é agravado ou existe a possibilidade da medida ser anulada.

 

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Fonte: http://www.voltimum.com.br/articles/medidas-de-protecao-contra-choques-nas-instalacoes-em-instalacoes-eletricas-de-baixa-tens-0

 

Data: 19/04/2017

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