Medidas de proteção contra choques nas instalações em instalações elétricas de baixa tensão – Parte 7

 

A norma apresenta como proteção adicional dois meios: a equipotencialização suplementar e o uso de dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade. Os dois meios são equivalentes, como proteção adicional, mas a aplicação de cada um deve ser feita de acordo com as características próprias da instalação. Enquanto o uso de dispositivos DR é indicado especialmente para os equipamentos portáteis e de baixa potencia (são prescritos para os circuitos de tomadas até 32 A), a equipotencialização suplementar é indicada aos equipamentos fixos e estacionários de qualquer potência (existe até uma dificuldade prática em se executar a proteção adicional para os equipamentos portáteis).

A norma, na seção 5.1.3.1.1, prescreve o meio de proteção adicional por equipotencialização suplementar em duas condições, a saber:

 

  •  sempre que as condições associadas à medida de proteção por equipotencialização e seccionamento automático da alimentação não puderem ser integralmente satisfeitas e;
  •  em todos os casos exigidos na seção 9, que trata dos requisitos complementares para instalações ou locais específicos.

Na alínea e) do item 5.1.2.2.4.1 da NBR 5410 está determinado que, se na aplicação do seccionamento automático da alimentação não for possível atender, conforme o caso, aos tempos de seccionamento máximos estabelecidos, deve-se realizar uma proteção adicional, por meio da equipotencialização suplementar, conforme apresentado na seção 5.1.3.1 da norma. Neste caso a norma admite que o tempo de seccionamento adotado seja de 5 s, desde que a ligação equipotencial suplementar atenda à seguinte condição:

R £ UL / Ia

onde:
R é a resistência elétrica entre qualquer massa e qualquer elemento condutivo simultaneamente acessível (seja outra massa ou elemento condutivo não pertencente à instalação elétrica)


UL é a tensão de contato limite, em volts;


Ia é a corrente de atuação do dispositivo de proteção, em ampères, correspondendo a:

 

  • IDpara dispositivos de proteção a corrente diferencial-residual;
  • corrente de atuação em 5 s para dispositivos a sobrecorrente.

A equipotencialização suplementar (estabelecida na seção 5.1.3.1.2 da norma) deve abranger todos os elementos condutivos simultaneamente acessíveis, sejam massas de equipamentos fixos, sejam elementos condutivos da edificação ou de suas utilidades, incluindo as armaduras do concreto armado. A essa equipotencialização devem ser conectados os condutores de proteção de todos os equipamentos, incluindo os condutores de proteção das tomadas de corrente.


O segundo meio de proteção adicional estabelecido pela norma é o uso de dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade, isto é, IDigual ou inferior a 30 mA. Esta proteção visa casos como os de falha de outros meios de proteção e de descuido ou imprudência do usuário e não é reconhecida como constituindo em si uma medida de proteção completa, portanto, não dispensa o emprego de uma das medidas de proteção contra choques elétricos, por exemplo, o uso do condutor de proteção (fio terra).


Na seção 5.1.3.2.2 a norma estabelece os casos em que o uso de dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade como proteção adicional é obrigatório, além dos casos especificados na seção 9, que são os seguintes:

 

  • os circuitos que sirvam a pontos de utilização situados em locais contendo banheira ou chuveiro;
  • os circuitos que alimentem tomadas de corrente situadas em áreas externas à edificação;
  • os circuitos de tomadas de corrente situadas em áreas internas que possam vir a alimentar equipamentos no exterior;
  • os circuitos que, em locais de habitação, sirvam a pontos de utilização situados em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço, garagens e demais dependências internas molhadas em uso normal ou sujeitas a lavagens;
  • os circuitos que, em edificações não-residenciais, sirvam a pontos de tomada situados em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço, garagens e, no geral, em áreas internas molhadas em uso normal ou sujeitas a lavagens


Visando orientar os profissionais da área de instalações elétricas a norma esclarece que:

 

  • o uso de DR é para os equipamentos de baixa potência; a obrigatoriedade da exigência para as tomadas de corrente se aplica às tomadas com corrente nominal de até 32 A.
  • como nas instalações residenciais a exigência se aplica a todos os pontos de utilização, e não somente às tomadas de corrente, é admitida a exclusão dos pontos que alimentem aparelhos de iluminação, desde que posicionados a uma altura igual ou superior a 2,50 m.
  • no caso de cargas onde houver o risco de desligamento de congeladores por atuação intempestiva da proteção, associado à hipótese de ausência prolongada de pessoas, significar perdas e/ou consequências sanitárias relevantes, as tomadas de corrente previstas para a alimentação de tais equipamentos sejam protegidas por dispositivo DR com característica de alta imunidade a perturbações transitórias ou, permite, ao invés de dispositivo DR, que a tomada destinada ao congelador seja protegida por separação elétrica individual.

Finalmente é adequado ressaltar que a norma trata da proteção pelo uso de dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade, isto é, IDigual ou inferior a 30 mA, e não apresenta prescrições quanto ao número de dispositivos que deve ser usado em cada instalação. A proteção dos circuitos pode ser realizada individualmente, por ponto de utilização ou por circuito ou por grupo de circuitos, ficando a decisão a cargo do projetista da instalação.

 

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Fonte: http://www.voltimum.com.br/articles/medidas-de-protecao-contra-choques-nas-instalacoes-em-instalacoes-eletricas-de-baixa-tensao

Data: 20/04/2017

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